
Há uma frase ou princípio no “Manifesto Para a Recuperação do Crescimento e Estabilização Económica Pós-Covid19” (https://tertuliaenergia.pt/) que prendeu, logo na 1ª leitura, a minha atenção:
“A política energética só contribui para o crescimento se houver uma redução dos custos de produção, como é o caso da melhoria da eficiência energética, ou se estivéssemos a substituir uma fonte de energia mais cara por outra mais barata.”
Ora isto é puro bom senso que os nossos governantes se recusam a interiorizar. Felizmente que o líder da oposição, Dr. Rui Rio, disse recear “termos pela frente mais um episódio de rendas garantidas, agora para o hidrogénio, negócio que interessará mais à EDP do que aos portugueses.” E, verdade seja dita, Rui Rio não é o único cético nesta matéria.
Esta questão da política energética/descarbonização é uma das grandes apostas do documento “Visão Estratégica Para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030” da autoria do Prf. António Costa Silva que já li, sublinhei e anotei, mas que ainda não me atrevo a comentar, muito embora lhe reconheça mérito, profissionalismo, ambição e criatividade, mas também alguma utopia.
Para já e antes de nova leitura(s) e estudo do documento, tenho uma profunda divergência quanto ao conceito económico subjacente ao documento que tudo faz depender do crescimento, venha ele de onde vier. Para mim, e regressando ao bom senso, isto é começar a construir a casa pelo telhado ou pelas paredes. Mas não é assim que se deve fazer: começa-se pelas fundações.
E as fundações foram estudadas e ensinadas por aquele que talvez tenha sido o maior economista que Portugal alguma vez teve, o Prf. Ernâni Lopes. Dizia ele:
“Economia não são apenas preços e mercados, fluxos de informação ou jogos de poder. Na sua camada mais profunda, a economia depende dos valores, das atitudes e dos comportamentos dos seus cidadãos e das suas organizações. Porque é aqui onde tudo se joga, onde uma economia se define como sã e próspera ou como decadente e moribunda.”
Na prática, elaborar um plano para o futuro da nossa economia, sem encarar/resolver a perda de produtividade que já se arrasta há mais de 20 anos, a captura de facto do poder político por parte de alguns poucos grupos financeiros/famílias e a consequente fuga para o estrangeiro dos nossos mais talentosos jovens, é começar construir a casa pelo telhado. É que, sem princípios e valores – cidadania responsável – aparecem as atitudes e comportamentos que nos colocam, cada vez mais, na cauda da Europa.
E, se não acreditam nisto, ouçam a voz do povo que quando ouve falar dos milhões de Bruxelas – sobretudo do dinheiro a fundo perdido – repete o velho refrão: vai ser fartar vilanagem! Haja bom senso, senhores decisores.







